| Tá aí uma das bobagens que eu escrevo, lirismo de feira, como diria um amigo meu.
Toda manhã é só mais uma, todo sol é o mesmo sol pra todo mundo que ainda insiste em reclamar do tempo. Mas cá entre nós, bem que podia chover mais tarde, né? E falando em mais tarde, talvez seja tarde pra falar alguma coisa e sussurrar uns amores por ai, mesmo eu achando que é cedo o bastante pra todo mundo rir em paz mesmo do avesso. É cedo, bobagem, nunca é tarde pras coisas da vida, nunca é tarde pra mais uma mentira imperdoavel ser perdoada, pras músicas velhas serem cantadas e pros passarinhos daquela janela ali cantarem também. Só não esquece do tempo, porque nunca é tarde mas existe o atraso, e é cedo que eu me refaço e lembro de você. Nunca é tarde mais o tempo castiga, mesmo aquela mão amiga que bagunça o cabelo domingo de tarde tomando sorvete de morango. Hoje é tarde, na verdade não é tarde, é só depois da manhã e antes da noite. Não é tarde, só é um dia jovem, cansado e quente, sem nenhum sabor aparente esperando a lua chegar. A tarde é nossa, à tarde nunca é tarde pra amar.
=D
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